sábado, 4 de janeiro de 2014

Enigmática educação

“Decifra-me ou te devoro.” Uma afirmativa questionável para os tempos atuais, aonde tudo se transforma em um enigma a partir da análise subjetiva de cada um, onde se pode estabelecer conceitos partindo de uma Ideia criadora e fomentando ao desejo de pensar, agir e ressignificar conceitos pela amplitude que o ato criador permite, pela liberdade e emancipação de sujeitos que criam regras e desenham seus sonhos e pesadelos.

Vamos fazer parte desse mundo idealizado por Minelli ou canalizar os anseios para atuar na militância? Criador e criatura o que fazer e porque fazer?

Páginas flutuantes


Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa que delícia pronunciar a palavra, exercer a liberdade e promulgar o saber, saber fonte de atração para as consequências de nossas andanças, de vidas entrelaçadas por histórias individuais, coletivas e histórias da própria História, linhas de vidas que se permitem agregar-se as páginas flutuantes que se constituem pelo caminhar esboçando no tempo o reflexo de opiniões, decisões e intervenções, aqui refletidas nas palavras de Casimiro de Abreu em Meus oito anos...

“Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã.
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberto ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora de minha vida (...)”


            Um esvoaçar de palavras que minha história embriaga e contribui para o meu criar.

O homem de um olho só

Há muitos e muitos anos, passado e presente se entrelaçam em uma ditadura envolta pelas amarras do poder do consumo. São inúmeros os desejos, anseios e sonhos furtivos que rabiscam os diários de homens e mulheres sem idade declarada, aspirações de uma arte rica em mover o apreço pelo novo, pela descoberta, pela vivência, pela abertura de novos caminhos o que leva à evolução e também a decadência da humanidade.
Muitos veem a arte como uma abertura para novos desafios, uma arte presente no desenvolvimento humano e tecnológico, da produção do papel à invenção da imprensa novo horizonte de potencialidades, porém a riqueza vista se dá na potencialidade da criação, de representar a vida em todas suas formas de manifestação.

Arte não é singularidade e sim pluralidade, nela pouco há de subjetividade ou é tomada por essa, arte se dá a partir do que vejo, como vejo e se vejo, porém o olhar é um só.